quarta-feira, 6 de março de 2013

Qual o papel de um presidente?


A imagem é do Porco Capitalista, o texto abaixo é de Lew Rockwell (com adaptações):

"A cada quatro anos, em cada eleição presidencial, eu tenho o mesmo sonho: eu não sei ou não me importo em saber quem será o presidente. Mais importante: eu não preciso saber, nem me preocupar com isso. Eu não tenho que votar ou prestar atenção em debates. Eu posso ignorar todas as propagandas políticas. Não existem riscos em jogo, seja para o meu país ou para minha família. Minha liberdade e minha propriedade estão tão asseguradas que, francamente, não faz diferença quem vença. Eu nem preciso saber seu nome.

O presidente é apenas uma figura representativa, sem autoridade real; um símbolo, que é quase invisível para mim e para minha comunidade. Ele não tem a riqueza pública à sua disposição. Ele não administra ministérios reguladores. Ele não pode nos taxar, nem dar subsídios aos ricos ou aos pobres, nem indicar juízes que irão retirar nosso direito à autonomia, nem controlar um banco central que inflaciona a oferta monetária e provoca os ciclos econômicos, e nem mudar as leis autoritariamente -- seja para agradar aos interesses especiais daqueles de quem ele gosta, seja para punir aqueles que o desagradam.

A Função do Presidente

Sua função é simplesmente supervisionar um governo minúsculo, virtualmente sem poder, exceto para arbitrar disputas entre estados, que são as principais unidades governamentais. Ele é o líder do estado, mas nunca o líder do governo. Sua posição, na verdade, é de constante subordinação aos funcionários ao redor dele e aos milhares de políticos em nível estadual e municipal. Ele adere às rigorosas regras da lei e está sempre ciente de que, no momento em que ele cometer uma transgressão e tentar expandir seu poder, será impedido e deposto como um criminoso.

O presidente pode ser um herdeiro rico, um empresário de sucesso, um intelectual altamente preparado, ou um fazendeiro proeminente. Independente disso, seus poderes são mínimos. A sua equipe é minúscula, e está quase sempre ocupada com assuntos cerimoniais, como a assinatura de proclamações e o agendamento de encontros com outros chefes de estado.

A presidência não é uma posição a ser avidamente perseguida, mas, sim, concedida como honorária e temporária. Para garantir que isso ocorra, a pessoa escolhida para vice-presidente é o principal adversário político do presidente. O vice-presidente, portanto, serve como uma lembrança constante de que o presidente é eminentemente substituível. Dessa maneira, o cargo de vice-presidente é muito poderoso — não em relação ao povo, mas para manter o executivo sob estrita vigilância.

O Governo Invisível

Aqueles que não votam e não ligam para política têm sua liberdade garantida. Eles não têm direitos especiais, contudo seus direitos à individualidade, à propriedade e à autonomia nunca são postos em dúvida. Por essa razão, e por todos os propósitos práticos, eles podem se esquecer do presidente e, consequentemente, do resto do governo federal. Não faz diferença se ele existe ou não. As pessoas não pagam impostos diretamente a ele. Ele não diz às pessoas como elas devem conduzir suas vidas. Ele não as manda para guerras, não controla suas escolas, não paga suas aposentadorias, e muito menos as emprega para espionar e extorquir seus concidadãos. O governo é praticamente invisível.

As controvérsias políticas que me envolvem tendem a ser em nível comunitário, municipal ou, no máximo, estadual. E isso ocorre para todos os assuntos, incluindo impostos, educação, crime, assistencialismo, e até imigração. A única exceção é a defesa geral da nação, embora o exército de prontidão seja bem pequeno e com várias milícias baseadas nos estados, em caso de necessidade. O presidente é o comandante-em-chefe das forças armadas federais, mas essa é uma posição secundária a menos que o congresso declare guerra. Essa função requer não mais do que garantir a impenetrabilidade das fronteiras por agressores estrangeiros.

O poder legislativo sobre o público praticamente não existe. Os congressistas não têm prerrogativa para aumentar seu poder.

Assim, no meu sonho, não há praticamente nada em jogo na próxima eleição presidencial. Não importa qual seja o resultado, eu mantenho minha liberdade e minha propriedade.

Extrema Descentralização

A política desse país é extremamente descentralizada, mas a população é unida por uma economia que é perfeitamente livre e por um sistema de comércio que permite às pessoas se associarem voluntariamente, inovarem, pouparem, e trabalharem baseando-se em benefícios mútuos. A economia não é controlada, estorvada ou mesmo influenciada por qualquer comando central.

As pessoas podem ficar com aquilo que ganham. A moeda que elas usam para comerciar é sólida, estável, e lastreada. Capitalistas podem abrir e fechar seus negócios à vontade. Trabalhadores são livres para aceitar qualquer trabalho que quiserem, sob qualquer salário e na idade que quiserem. Os negócios têm apenas dois objetivos: servir o consumidor e obter lucros.

Não existem controles trabalhistas, benefícios compulsórios, impostos sobre folhas de pagamento, ou outras regulamentações. Por essa razão, cada um se especializa naquilo em que é melhor, e as trocas pacíficas entre os empreendimentos voluntários causam crescentes ondas de prosperidade por todo o país.

O formato que a economia vai tomar — seja agrícola, industrial, ou de alta tecnologia — não interessa ao governo federal. Permite-se que o comércio aconteça livre e naturalmente, e todos compreendem que ele deve ser gerenciado por proprietários, não por funcionários públicos. O governo federal não poderia criar impostos quando quisesse, muito menos taxar a renda, e o comércio com nações estrangeiras seria competitivo e livre.

Se por algum motivo esse sistema de liberdade começar a se decompor, a minha própria comunidade — o estado no qual eu moro — tem uma opção: se separar do governo federal, formar um novo governo, e se juntar a outros estados nesse esforço. A secessão é sempre permitida. Essa foi parte da garantia requerida para tornar possível que o país fosse uma federação. E, de tempos em tempos, os estados ameaçam uma secessão, apenas como forma de mostrar ao governo federal quem está no comando.

Esse sistema reforça o fato de que o presidente não é o presidente do povo, muito menos seu comandante-em-chefe, mas meramente o presidente do país. Ele serve apenas com sua permissão e somente como líder simbólico dessa união voluntária de comunidades políticas mais importantes. Esse presidente jamais poderia fazer pouco caso dos direitos dos estados, muito menos violá-los na prática, porque assim ele estaria traindo seu juramento e arriscando ser expelido do cargo.

Nessa sociedade sem administração central, uma vasta rede de associações privadas serve como a autoridade social dominante. Comunidades religiosas exercem vasta influência sobre a vida pública e privada, assim como o fazem também entidades civis e líderes comunitários de todos os tipos. Eles criam uma enorme miscelânea de associações e uma verdadeira diversidade na qual cada indivíduo e grupo encontra um lugar.

Essa combinação de descentralização política, liberdade econômica, livre comércio, e autonomia seria capaz de criar a mais próspera, diversa, pacífica e justa sociedade que o mundo jamais conheceu.

Sem Utopia, nem credulidade

Seria isso uma utopia? Na verdade, nada mais é do que o resultado da minha premissa inicial: que o presidente é tão restringido que não é nem importante saber quem ele é. Isso significa uma sociedade livre que não é controlada por ninguém, exceto por seus membros em suas qualidades de cidadãos, pais, trabalhadores e empreendedores.

Esse seria um país onde as pessoas deveriam governar a si mesmo e a planejar sua própria economia, e não tê-la planejada por burocratas em uma capital distante. O presidente nunca se interessaria pelo bem-estar do povo porque o governo federal não teria voz nesse assunto. Isso seria deixado para as comunidades políticas populares decidirem.

Como Thomas Jefferson escreveu, um governo livre é fundamentado na desconfiança, e não na confiança. James Madison também havia alertado: "Desconfie sempre de todos os homens que têm poder ".

Podemos adicionar dizendo que qualquer governo que empregue milhões de pessoas, a maioria delas armadas até os dentes, deve ser digno de enorme desconfiança. Essa é uma atitude cultivada pela mente liberal-clássica, que premia e incentiva a liberdade dos indivíduos e das comunidades para controlarem suas próprias vidas.

O recém-findado século XX foi o século de Rousseau. E com a ajuda das doutrinas estatistas de Marx e Keynes, este foi também o mais sanguinário dos séculos da história humana. A ideia de governo que esses autores tinham era exatamente oposta à do pensamento liberal-clássico. Eles alegavam que a sociedade não pode governar a si mesma; ao invés da vontade geral, os interesses do proletariado ou os planos econômicos das pessoas precisam ser organizados e incorporados na nação e naqueles que a controlam.

E hoje, de fato, com a glorificação da democracia, o indivíduo, a família, e a comunidade -- as unidades essenciais de uma sociedade livre -- não só foram reduzidos a servos federais, tendo apenas a liberdade que o governo os permite ter, como também foram obrigados a agir como parte de uma ordem nacional coletivista que está por toda parte. Nenhuma grande figura política nacional propõe mudar isso.

Esse fato suscita uma compreensão central da tradição intelectual liberal-clássica. O governo não tem nenhum poder ou recurso que antes não tenha tomado das pessoas. Ao contrário das empresas privadas, ele não pode produzir nada. O que quer que ele tenha, ele deve extrair da iniciativa privada. Embora isso tenha sido bem compreendido no século XVIII, bem como em grande parte do século XIX, tudo foi quase que totalmente esquecido no século do socialismo e do estatismo, do Nazismo, do Comunismo, do New Deal, do assistencialismo, e das guerras.

Liberalismo

Nos séculos XVIII e XIX, o termo liberalismo geralmente se referia a uma filosofia de vida pública que afirmava o seguinte princípio: sociedades e todas as suas partes não necessitam de um controle central administrador porque as sociedades normalmente se administram por meio da interação voluntária de seus membros para seus benefícios mútuos.

Liberalismo clássico significa uma sociedade na qual meu sonho é uma realidade. Não precisamos saber o nome do presidente. O resultado das eleições é altamente irrelevante porque a sociedade é regida por leis e não por homens. Não tememos o governo porque ele não nos tira nada, não nos dá nada, e nos deixa em paz para moldarmos nossas vidas, comunidades e futuros.

Essa visão do governo e da vida pública foi destruída em nosso século e em quase todos os países do mundo. Atualmente, em todos os países, o presidente (ou primeiro-ministro) é extremamente poderoso e controlador, especialmente se levarmos em conta todas as agências executivas que ele controla. Seu poder só é rivalizado por aquele indivíduo que comanda as impressoras monetárias, o presidente do Banco Central.

Restauração

O liberalismo clássico funcionaria nos dias de hoje? Pense nas questões litigiosas da sociedade atual. Cada uma certamente envolve uma área que está relacionada com alguma forma de intervenção governamental. Os conflitos atuais giram em torno do desejo de apoderar-se da propriedade de terceiros usando para esse fim o aparato político de coerção que é o estado. A nossa sociedade seria mais pacífica e próspera se tivesse seguido o programa liberal? A pergunta carrega sua própria resposta.

Agora, de volta ao meu devaneio. Eu não conheço e nem me preocupo em conhecer as políticas presidenciais porque elas não importam de maneira alguma. Minha liberdade e propriedade estão tão asseguradas que, francamente, não faz diferença quem vença as eleições. Mas, para atingir esse objetivo, nenhum de nós pode abster-se das batalhas políticas e intelectuais de nossa época."

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Esquerdistas: mais inteligentes e bonzinhos ou mais mentirosos?


Uma das primeiras coisas que esquerdistas se preocupam em fazer ao entrar em um debate é criar rótulos bons para si e ruins para os adversários: isso significa se auto-venderem como tolerantes, bondosos, empáticos, caridosos, inteligentes, iluminados, científicos, etc — e, claro, dizer que o outro lado não é nada disso, e sim um bando de mesquinhos ricos que não se importam com os necessitados.

Ainda mais se puderem relacionar um estudo como o a seguir:
Um estudo feito pela Universidade Brock, de Ontário (Canadá) coletou dados por mais de 50 anos e chegou a uma polêmica conclusão: pessoas com ideologia de esquerda (ou liberal, como dizem no hemisfério norte) são mais inteligentes que pessoas de direita e conservadoras.

Após entrevistar cerca de 15 mil pessoas no Reino Unido em 1958 e 1970, os pesquisadores compararam os níveis de inteligência com a posição política dos participantes da pesquisa depois de adultos.

Como efeito de comparação: pessoas muito conservadoras tinham Quociente de Inteligência de 94 pontos (a média é 100). Pessoas de centro tinham QI de 100 pontos e as pessoas muito liberais tinham QI médio de 106 pontos.

Logo de cara é importante notar que os resultados médios (entre 94-106 pontos) ficaram rigorosamente dentro da faixa entre 90-109, considerada de inteligência média (inteligência acima da média começa a partir de 110; inteligência superior acima de 120 e superdotação acima de 130). Ou seja, pelo estudo NÃO se pode declarar que alguma das posições políticas seja "a opção do grupo de gênios".

Outro ponto que podem querer sugerir é que a opção pelo liberalismo/esquerdismo seria fruto de alguma ponderação racional que as pessoas com QI mais alto teriam feito, Mas considerando que pessoas com QI mais alto tendem a ir mais longe na vida acadêmica e que há extensa doutrinação de esquerda nesses locais, pode muito bem ser que as pessoas com QI mais elevado se digam esquerdistas não por terem posto sua inteligência para fazer um julgamento, mas simplesmente por falta de terem sido apresentadas decentemente a outras alternativas. Resumindo, correlação (entre QI e escolha política) não significa causação (que o QI tenha causado a escolha política).

Pois bem, o estudo nos mostra um grupo em média mais inteligente do que outro, e o grupo mais inteligente foi colocado como esquerda/liberal. O ponto é: o que significa esquerda/liberal para eles?

É aqui que a coisa fica interessante.

A notícia tem um link para o psychology today, onde um artigo defende que o liberalismo/esquerdismo poderia ser "razoavelmente definido como a preocupação genuína com o bem-estar dos outros geneticamente independentes e a vontade de contribuir com maiores proporções de recursos privados para o bem-estar destes outros".

Ainda de acordo com eles, "no contexto político moderno e econômico, essa vontade geralmente se traduz em maiores proporções de destinação da renda individual em impostos para o governo e seus programas sociais. Liberais normalmente apoiam tais programas sociais e aumento de impostos para financiá-los, e os conservadores geralmente se opõem a eles".

O truque aqui é sugerir que a forma de externar a vontade de ajudar os demais é via programas de governo: como liberais apoiam tais programas, eles seriam então os que querem ajudar, enquanto os conservadores, que são contra, seriam os que não querem ajudar os demais.

Opa, mas espere aí, a única e melhor forma de zelar pelo bem-estar dos outros é através do governo e seus programas sociais? É claro que não, pois também existe a caridade privada, na qual as pessoas doam seus recursos privados de forma direta e voluntária.

E, de acordo com os dados abaixo, mais efetiva:


É isso que os conservadores defendem.

Ou seja, de início já vemos que a "definição razoável" usada por eles é um jogo de rótulos dos mais sem-vergonhas. O elemento "Preocupação genuína com o bem-estar dos outros" não é, de forma alguma, uma característica inerente aos liberais/esquerdistas. Muito menos a única forma de se medir essa preocupação seria através da disposição das pessoas em patrocinar governos — pois pode-se ajudar os necessitados (de forma muito mais eficiente, inclusive) doando-se DIRETA E PRIVADAMENTE A ELES o próprio dinheiro em vez de dá-lo a políticos para ser desviado.

Já dá pra começarmos uma definição realmente honesta e compatível com os fatos: em relação a ajudar os demais, liberais/esquerdistas são os que defendem ajuda via inchaço estatal; conservadores/direitistas são os que defendem ajuda privada, voluntária e mais eficiente. Só isso.

Mas os esquerdistas ficaram tão empolgados com o estudo que começaram até mesmo a devanear racionalizações e uma hipótese que o resultado da pesquisa corroboraria:
"A hipótese é que indivíduos mais inteligentes devem ser mais capazes do que os indivíduos menos inteligentes de compreender e lidar com entidades e situações evolutivamente novas (e não evolutivamente familiares). Definido como tal [e já vimos que tal definição é uma besteira], o liberalismo é evolutivamente novo. Os seres humanos (como outras espécies) são evolutivamente concebidos para serem altruístas para com seus parentes genéticos, seus amigos e aliados, e os membros de sua deme ou grupo étnico. Eles não são projetados para serem altruístas em direção a um número indefinido de completos estranhos, que eles não estão suscetíveis de conhecer ou interagir. Isso porque os nossos antepassados ​​viviam em pequenos bandos de 50-150 indivíduos geneticamente relacionados, e grandes cidades e nações com milhares e milhões de pessoas são uma inovação evolutiva. (...) O liberalismo é, portanto, mais provável de ser adotado por indivíduos mais inteligentes do que pelos menos inteligentes."
Este é um padrão comum da crença esquerdista, o de que o homem através de alguma âncora positiva (pode ser "a ciência", "a razão", "a inteligência"...) vai alcançar um novo estágio na evolução superando sua condição anterior e se tornando mais empático, pacífico, etc...

Mas será que algum dos lados realmente "se preocupa mais genuinamente"? Já sabemos que esquerdistas adoram DIZER que se preocupam mais, mas dizer é fácil: Será que NA PRÁTICA liberais são os que mais doam? Esta sim é uma boa forma de avaliar quem realmente se preocupa mais.

Arthur Brooks, professor da Universidade de Syracuse, fez um estudo sobre doações para entidades filantrópicas nos EUA, que revelou que os conservadores doam 30% A MAIS para instituições de caridade do que doam os esquerdistas/liberais, apesar do fato de os esquerdistas/liberais terem rendas mais elevadas do que os conservadores.

Huumm... embora esquerdistas queiram se definir como "os mais dispostos a doar", na hora de REALMENTE DOAR o próprio dinheiro — que é o que importa, certo? — conservadores saem na frente.

Os esquerdistas até que tentam inventar uma desculpa pra esse furo, relacionada à questão de "doações a indivíduos geneticamente independentes":
"O fato de conservadores doarem mais dinheiro para caridade do que os liberais não é inconsistente com a previsão da hipótese, na verdade, é suportado por ela. Normalmente indivíduos podem escolher e selecionar os beneficiários de suas doações de caridade. Por exemplo, eles podem escolher dar dinheiro às vítimas de um terromoto no Haiti, porque querem ajudá-los, mas não dar dinheiro às vítimas do terremoto no Chile, porque eles não querem ajudá-los. Em contraste, cidadãos não têm nenhum controle sobre a quem o dinheiro que pagam em impostos beneficiará. Eles não podem individualmente escolher pagar taxas para financiar a saúde pública, porque querem ajudar idosos brancos, mas para não ajudar afrodescendentes, porque eles não querem ajudar mães solteiras negras e pobres. Isso pode ser precisamente por que conservadores escolhem dar mais dinheiro para caridade individual à sua escolha enquanto se opõem a mais impostos."
Mas a desculpa é completamente esfarrapada. Uma coisa é QUANTO se doa, outra coisa é pra QUEM se doa. Se esquerdistas são mesmo "genuinamente preocupados com o bem-estar dos outros geneticamente independentes e dispostos a contribuir com maiores quantidades em prol deles", eles deveriam doar TANTO QUANTO (ou melhor, MAIS do que) os conservadores, apenas dirigindo tal quantidade de doações para esses grupos "externos" de indivíduos. O fato de conservadores doarem mais é sim incompatível com a hipótese.

Agora, será mesmo que conservadores doam mais, mas só entre os seus semelhantes?

Até nisso estão errados. Os cristãos, diz Brooks, "fazem mais caridade em todos os aspectos não religiosos que dá para se medir".

Brooks revelou que os conservadores doam mais em tempo, serviços e até sangue do que os outros americanos, notando que se os esquerdistas e moderados doassem tanto sangue quanto os conservadores doam, o abastecimento de sangue aumentaria em cerca de 50%.

Ou seja, o artigo é uma safadeza completa:

1- Tenta definir esquerdistas/liberais como "preocupados e dispostos a doar" porque acreditam em dar dinheiro pro governo, quando as pessoas também podem ser "preocupados e dispostas a doar" fazendo isso privadamente.

2- Tenta definir esquerdistas/liberais como os "preocupados e dipostos a doar maiores quantidades", mas quem doa mais são os conservadores.

3- Tenta dizer que conservadores doam mais, mas seria só entre os seus, no entanto os conservadores, de fato, doam mais também para causas não-religiosas do que os demais.

Ou seja, ironicamente, quem se enquadraria melhor no conceito que inventaram para esquerda, como indivíduos empáticos, seriam... os conservadores!


Por fim, a cereja do bolo. Os esquerdistas ficaram tão satisfeitos com sua pseudociência que resolveram contar vantagem — e acabam atirando no próprio pé:
"Aliás, essa constatação [de que os esquerdistas seriam mais inteligentes] corrobora uma das queixas persistentes entre os conservadores. Conservadores frequentemente se queixam de que os liberais controlam a mídia ou o show business ou a universidade ou algumas outras instituições sociais. A hipótese explica por que os conservadores estão corretos em suas queixas. Liberais realmente controlam os meios de comunicação, ou o show business, ou as universidades, entre outras instituições, porque, à parte de algumas áreas da vida (como negócios) em que as circunstâncias de competição possam existir, os liberais controlam todas as instituições. Eles controlam as instituições porque os liberais são, em média, mais inteligentes do que os conservadores e, portanto, eles são mais propensos a atingir o mais alto status em qualquer área (evolutivamente nova) da vida moderna."
Ah, então quer dizer que eles assumem que controlam todas as instituições, o que obviamente inclui o estado? Isso nos ajuda a estabelecer uma definição mais correta e entender a questão:

Liberais são os que DIZEM se preocupar mais com os outros a fim de arrecadar mais dinheiro para o Estado — mas eles próprios assumem que ocupam o Estado e suas instituições, o que significa que essa "preocupação com os outros" pode muito bem ser mera desculpa para reinvidicarem mais dinheiro a passar pelas mãos deles mesmos.

Enquanto Conservadores EFETIVAMENTE DOAM mais para os outros e reinvindicam a possibilidade de poderem continuar doando por conta própria.

Pelo jeito, se esquerdistas tiverem mesmo mais pontos de QI isso não tem feito deles pessoas mais preocupadas em ajudar os outros, e sim mais aptas a pensar em safadezas e enrolações retóricas pra dizerem que o são, forçarem outros, via impostos, a lhes dar dinheiro e posarem de bonzinhos. (Como já disse Rothbard, "É fácil ser notoriamente caridoso se outros são obrigados a pagar a conta"...)

E de brinde, aliás, uma boa demonstração de que inteligência não é a nossa salvação moral: inteligência é a capacidade de solucionar problemas conforme nossos interesses — e esses interesses continuam podendo ser bons ou maus.

Então da próxima vez que um esquerdista tentar uma cateirada de que é mais empático ou mais preocupado com os outros você já sabe: bote esse post na cara dele e não deixe-o enganar a platéia.



Pode gostar também de: Fogo amigo e como passar a mensagem certa politicamente

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Como a política pode (não) ajudar os pobres


Numa "República Democrática de Direito, fundada nos princípios da dignidade da pessoa humana e em tudo que há de bom, onde os interesses do povo são defendidos por seus representantes eleitos" *suspiros* não deveria ser difícil aprovar uma medida que ajuda os menos favorecidos, certo?

bom...



Nota: PIG é o "Partido da Imprensa Golpista", nome que o pessoal de esquerda dà à suposta conspiração da mídia contra o governo deles. "Tucano" refere-se ao PSDB.


Por que ela manteve os impostos antes e quer retirar agora?

A desculpa oficial foi que “A efetiva desoneração da cesta básica deve levar em conta tributos federais e também estaduais, assim como a geração de créditos tributários ao longo da cadeia produtiva.", ou seja, a isenção deveria ser de todos os impostos e não só de alguns. Perfeito. Uma posição digna de alguém que se preocupa com os pobres.

Pena que em vez de já tirar os impostos atuais e depois ainda tirar os demais, a presidente vetou a redução toda e estabeleceu a criação de um "grupo de trabalho para apresentar proposta de composição da cesta básica e sua respectiva desoneração". Pelo jeito esqueceram aquele discurso que sempre usam em relação às cotas, de que "o pobre não pode esperar". Pelo visto, no preço da comida eles podem esperar, sim.

Parece-me claro que é uma desculpa bem esfarrapada. Algo que pode ajudar a entender melhor o porquê do veto da presidente é que a primeira isenção foi introduzida por um Deputado do PSDB (Bruno Araújo): a concorrência. (Então realmente fica engraçado o militante petista perguntando se o PSDB "vai ser contra isso também" quando na verdade foi o próprio PSDB que introduziu a isenção que o PT vetou.) Agora, ao vetar o que já estava pronto e tomar a iniciativa de um projeto novo, o mérito fica sendo da Dilma, na disputa pra ver quem posa mais de defensor dos pobres.

O lado bom de ser iniciativa da Dilma é que não se corre o risco de ela vetar o projeto no final, pelo menos. O lado ruim é que o PSDB e outros partidos agora podem querer se opor ao projeto da presidente em troca, quem sabe, de uns carguinhos ou outras vantagens para se tornarem mais cooperativos. É a tal "governabilidade democrática".

Enquanto isso, os pobres podem continuar pagando caro por mais uns meses pra terem uma redução que "a Dilminha inventou" (é para "ainda esse ano", ela disse, fiquem tranquilos). E enquanto isso a gente ainda tem que ouvir os anticapitalistas dizendo que a culpa pelas dificuldades dos pobres é do capitalismo, e não do governo.

5 meses e contando...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Liberdade econômica é importante?



Para os dados acima, os países foram divididos em 4 grupos como relacionado abaixo, sendo o grupo vermelho os menos livres e os azuis os mais livres:


As estatísticas revelam 2 coisas interessantes: países no grupo com mais liberdade econômica possuem MAIS das coisas BOAS (renda dos 10% mais pobres, expectativa de vida...) e MENOS das coisas RUINS (trabalho infantil, corrupção, desemprego...).

Então, mesmo que você não se importe nem um pouco com crescimento econômico, há muitas evidências de que liberdade econômica dá às pessoas, mesmo as mais pobres, tanto a liberdade quanto o bem-estar para alcançarem mais qualidade de vida.

Mais sobre a queda americana:


Você pode conferir o rank da liberdade econômica da Heritage Foundation (e a posição do Brasil nele) aqui:

domingo, 27 de janeiro de 2013

Encontrado o culpado pelo incêndio na boate Kiss:


O leitor pode ficar tranquilo. No facebook já se encontra disponível o relatório completo com o culpado para o incêndio na boate em RS: o capitalismo.
"Eu não estou colocando a culpa nos funcionários, sabemos que são explorados pelos seus patrões e estavam tentando garantir sua renda. Presumindo que era um problema menor tentaram garantir a ordem, que era a sua função. Se não cumprissem (deixassem as pessoas saírem por conta do tumulto sem pagar), obviamente seriam culpados por eles pelas perdas do lucros. Por isso ao meu ver tentaram controlar a confusão e garantir os lucros da empresa e seus empregos. Entendo que sobretudo é culpa da boate pela sua desorganização e despreparo até mesmo na qualificação de seus profissões. Mas não deixo de me chocar com a falta de preparo e de humanidade dessa atitude que pode ter eliminado as chandes de muitos se salvarem."

"Na verdade, podemos muito bem culpar o nosso sistema capitalista opressor por atitudes pouco humanas como essas."
"BRASIL = Um lugar onde você morre queimado, mas não sai sem pagar." 

Não é nenhuma opressão que as pessoas tenham que cumprir suas funções. Espera-se que os seguranças cumpram a deles, assim como esperamos isso dos bombeiros, dos policiais, dos professores, etc.

É um absurdo imaginar que os seguranças preferiram SE TRANCAR dentro da boate junto com as pessoas (sim, pois morreram seguranças também) por pura maldade capitalista, preferindo que clientes e eles mesmos morressem em nome dos lucros.

O sujeito que, segundo relatos, acendeu um sinalizador dentro da boate foi burro, as pessoas são negligentes com sua própria segurança ao ir a estes lugares, a boate vacilou... é da nossa natureza cometer enganos — e ficar devaneando outros culpados pra isso.

Mais de 200 mortos na boate e as pessoas ficam buscando sistemas pra culpar, mas não notam que o capitalista malvado dono da boate é quem tinha menos interesse no que aconteceu (será que ele fez uma análise de custos e concluiu que valeria mais a pena deixar morrer 250 clientes, deixar outros tantos feridos, perder tudo que foi comprado para o evento da noite, perder a estrutura da boate e pagar indenizações?)


Pela lógica dos anticapitalistas, gente desinteressada em lucros deve ser a Dilma, que se prontificou para largar os compromissos que tinha no exterior, mobilizou os ministros para monitorar a tragédia e garantiu que o governo federal fará "tudo o que for necessário".

E não só ela, outros Políticos e personalidades lamentam tragédia em Santa Maria, no RS: temos notícias do ministro da Saúde Alexandre Padilha que se prontificou para ir ao Rio Grande do Sul verificar "que tipo de apoio na área da saúde pode ser dada"; temos o secretário de segurança pública Airton Michels dando entrevista na rádio pra afirmar que "todas as forças de segurança pública do estado já foram acionadas para se deslocarem até Santa Maria"; temos o governador Tarso Genro, comunicando via twitter que se deslocará para "acompanhar o trabalho do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil"; temos o Marco Maia, presidente da Câmara, para garantir que "não pouparão esforços para amenizar a dor das famílias e para que tragédias como esta não ocorram mais em nosso país"...

Abençoados sejam todos estes heróis, neles deve repousar nossa esperança, pois estes sim são gente que tem interesse e incentivo para evitar tragédias, pois não ganham nada com elas, não têm interesse nenhum em usá-las pra mostrar serviço. É nos ombros do estado que deve repousar nossa esperança, para nos defenderem contra essa gente capitalista que certamente ganha muito dinheiro queimando seus clientes.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Se você fosse rei...

Se você tivesse poder para governar o mundo, ele seria um lugar muito melhor, não?

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Direitos Legítimos (7): Liberdade


O Direito à liberdade ficou por último não por ser menos importante que o direito à propriedade ou à vida, mas porque é principalmente através de ameaças à vida e à propriedade que o direito à liberdade é violado.

Na verdade, os três direitos são completamente interdependentes:

Vida x liberdade e propriedade
É evidente a impossibilidade de ter liberdade ou propriedade estando morto. A dependência destes dois direitos em relação ao direito à vida é óbvia.

Propriedade x liberdade e vida
Menos óbvio é o fato de que é impossível ser livre sem propriedade. Se o indivíduo não tem a posse/o direito de usar aquilo que produz como bem entende, necessariamente existe alguém o impedindo de fazê-lo. Isto significa que este indivíduo não está livre para agir de acordo com sua própria razão e julgamento, está sendo obrigado a seguir as decisões de outro. Não há liberdade sem o direito à propriedade, e sim escravidão.

Se lembrarmos que o parâmetro para a vida não é a mera sobrevivência do corpo, mas sim a vida de um ser racional e independente, a correlação entre propriedade e vida também fica clara. Sem o direito de usar tudo aquilo que produz, o indivíduo não depende apenas de seu trabalho para existir – mas também da permissão alheia. Removida sua independência, ele não está mais vivendo a vida de um ser racional e independente – mesmo que sobreviva.

Liberdade x vida e propriedade
Também é impossível viver ou ter propriedade sem ter liberdade. Se o indivíduo não pode agir livremente, evidentemente não pode usar aquilo que produz livremente. Sem liberdade não pode haver propriedade. Invocando novamente a vida de um ser racional e independente como parâmetro, também fica claro que sem poder agir de acordo com suas decisões é impossível a vida como ser racional – embora a sobrevivência física seja possível.

Violações à liberdade - Conceito de liberdade
O direito à vida e o direito à propriedade podem ser violados diretamente, usando a força física para tomar a vida ou remover a propriedade do indivíduo. Quando vida ou propriedade é ameaçada, é violado também o direito à liberdade.

Pode-se fisicamente prender uma pessoa, fechando-a em uma cela, amarrando-a ou acorrentando-a. A violação direta do direito à liberdade é clara e evidente. Sua violação indireta é muito mais comum, mas também se dá através do uso da força. Ao apontar uma arma para sua vítima, a vida dela passa a ser condicionada à obediência ao assaltante. A escolha da vítima é limitada a obedecer para que a ameaça à sua vida ou sua propriedade não seja concretizada.

A coação, a violação indireta do direito à liberdade, se dá desta forma. Tornando algo que pertence à vítima por direito (sua vida ou sua propriedade) e tornando este valor condicional à obediência. Claramente é apenas através da ameaça do uso da força que se pode violar o direito à liberdade, pois é impossível ameaçar o que o indivíduo tem se não pelo uso da força.

Apenas se viola o direito à liberdade quando se ameaça algo que a pessoa tem. Este entendimento permite eliminar uma interpretação errada do direito à liberdade que cria a ilusão de conflitos entre os direitos das pessoas. O erro é tratar a “ameaça” contra algo que a pessoa ainda não tem como violação de seus direitos.

Este erro é muito freqüente ao discutir relações profissionais. É extremamente comum o seguinte argumento: “O empregado é pobre e desqualificado, o empregador oferece um salário baixo demais, injusto, mas o empregado é obrigado a aceitar”.

Antes de ser contratado, o que o pobre e desqualificado trabalhador tem? Tem sua vida e seus poucos bens. O empregador ameaça tirar a vida ou os poucos bens do trabalhador ao oferecer-lhe emprego? Não. Aliás, pelo contrário, oferece a oportunidade de acrescentar um pouco a estes bens.

“Mas sem o emprego o trabalhador pobre morreria de fome, sua vida está ameaçada” retrucam. Mas não é o empregador que “ameaça” o indivíduo, mas a própria natureza – que exige que ele se alimente, entre outras coisas. Não é culpa do empregador que o futuro empregado precisa comer, seja qual for o salário que oferecer.

Se o empregado realmente foi “obrigado” a aceitar, isto apenas significa que a oferta daquele empregador foi a melhor opção que existia (não fosse, teria escolhido outra). O empregador, longe de ameaçar o pobre trabalhador ou violar seus direitos como bradam os marxistas, ofereceu-lhe nada menos do que a melhor saída para sua situação anterior. Pode não ser boa a condição do empregado, mas com certeza é melhor do que a que tinha antes!

Culpar pessoas pelas “obrigações” impostas pela natureza é um dos erros mais freqüentes no entendimento do direito à liberdade.

Outra forma desta deturpação do direito à liberdade é comum ao discutir a liberdade de expressão. Em defesa da “democratização da mídia” muitos reclamam que quem é pobre ou tem opiniões impopulares tem sua liberdade de expressão violada — porque não consegue espaço na mídia.

O que o “sem voz” tem? Tem sua vida, sua propriedade e suas opiniões. Alguém está ameaçando sua vida ou propriedade? Não. Alguém está fisicamente o impedindo de expressar suas opiniões? Não. Ao recusar ajuda ao pobre ou impopular, estas pessoas não estão violando nenhum de seus direitos — apenas estão recusando dar àquela pessoa algo a mais, não estão tirando ou ameaçando algo que ela já tem.

O indivíduo tem o direito de falar e de escrever, mas ninguém tem a obrigação de ouvi-lo ou comprar papel e caneta para que ele escreva. Ninguém tem a obrigação de transmitir suas opiniões por rádio ou televisão. “A mídia” são outras pessoas, e a propriedade de outras pessoas. Pessoas que têm sua própria liberdade de atender às vontades dos outros.

Em geral a solução proposta para o "problema" é que “o governo deve criar mecanismos estatais, para que estas pessoas possam ser ouvidas!”. Aí está o governo Lula criando uma televisão estatal, em tese para “democratizar a mídia”. Mas de onde vem o dinheiro do governo? É tirado da população pelos impostos. Ou seja, as mesmas pessoas que não querem pagar para ouvir os “sem voz” (pois se quisessem, “a mídia” os publicaria) são forçadas pelo governo a fazê-lo!

Neste, como em todos os casos, não há violação de direitos até que se use a força. Os verdadeiros direitos são apenas garantia contra a interferência dos outros. Ninguém é obrigado a dar ao outro um prato de comida, nem um palanque para ser ouvido.

O verdadeiro direito à liberdade não garante imunidade das leis físicas da natureza. O direito à liberdade também não garante que o indivíduo será onipotente, capaz de fazer o que quer, nem muito menos que outros cooperarão com ele. Garante apenas que outros não ameaçarão sua vida ou propriedade, nem o impedirão fisicamente de agir como quiser — desde que não viole os direitos deles.

Liberdade é não estar sob ameaça de outras pessoas. Se só existisse uma pessoa em todo o mundo, ela seria completamente e absolutamente livre. O ideal Capitalista é que se possa ter esta mesma liberdade vivendo em sociedade, e os direitos individuais são o meio de fazê-lo.

No entanto, em vez de liberdade como ausência de coação, há quem defenda a idéia de que liberdade é "poder escolher”. Quem escolhe supostamente é um individuo, um ser humano, ou seja, um auto-proprietario (proprietário de si mesmo). Sobre o que um agente pode escolher, dada a sua natureza? Sobre aquilo, seja externo ou interno, que ele tem sob comando de seu arbítrio, da sua vontade, ou seja, suas propriedades.

Ocorre que não é isso que os defensores da “liberdade como poder escolher” querem dizer por poder escolher. Eles querem liberdade de escolher sobre as propriedades de OUTROS também. Embora ficasse extremamente ridículo dizer que alguém não é livre porque não pode escolher dirigir uma Ferrari, eles dizem que um pobre não é livre se não pode escolher ser médico, engenheiro, ou, numa situação dramática, comer. Por isso, uma política justa (segundo eles), seria fornecer meios para que qualquer um possa escolher ser médico, engenheiro e comer. É a tal idéia das igualdades de oportunidades. Alguém fornece uma "cesta de bens" inicial que, possivelmente, aumenta o leque de escolhas do individuo. Isso o tornaria livre, porque ele teria mais escolhas. De certa forma essa definição é uma variação de outros dois absurdos: liberdade é onipotência ou, num sentido menos filosófico, liberdade é poder / riqueza.

A violação da definição clássica de liberdade (ausência de coerção) é óbvia: quem fornece, quem paga a tal "cesta de bens" para ampliar o leque de escolhas de quem quer que seja? Se essa liberdade como "poder escolher" é um direito, então violações desse direito implicam no uso da força para seu restabelecimento ou reparação. Isso significa que alguém com um leque de escolhas reduzido, ou alguém encarregado por ele, pode tomar propriedades de outros para providenciar a tal "cesta de bens" que aumenta o leque de escolhas do sujeito. Pronto! Temos o inicio do uso da força contra a propriedade de outro. Foi-se a liberdade. Liberais clássicos não teriam nada contra as pessoas voluntariamente fornecerem tais cestas de bens para ampliar as escolhas de quem quer que seja. O ponto central é a ausência do “voluntariamente” e a questão da justiça. Sobre essa questão, aumentar o leque de escolha de alguém não é assunto de justiça, não é direito de ninguém ter um conjunto de escolhas grandes. Cada um, dada a sua natureza (suas propriedades), constrói seu próprio leque de escolhas. Outras pessoas não podem ser obrigadas a abrirem mão de suas próprias coisas, conquistadas com seu próprio trabalho, em favor de outras — até porque isso reduziria da mesma forma o leque de escolhas daquele que foi privado de suas coisas!

Já os defensores de tal liberdade como "escolhas" defendem que o governo (o aparato coercitivo maior) “dê” a determinados indivíduos as tais "cestas de bens". Pode-se maquiar a referência ao estado com expressões como “sociedade” ("é a sociedade que determina") ou ainda, teorias mirabolantes sobre democracia e representatividade, ai sobra um “é a sociedade democraticamente que determina”, como se fosse legitimo a sociedade democraticamente determinar a morte dos negros, o extermínio dos judeus etc. No fim das contas, o que esses supostos liberais estão dizendo é o que todo fascista ou todo nazista dizia, o estado é tudo, pode tudo.

É realmente incrível como as pessoas passam aqui a sofrer de uma esquizofrenia aguda: elas são contra a escravidão mas são favoráveis ao governo obrigar as pessoas a trabalhar e financiar bens como “educação” para outros mesmo contra suas vontades, ou seja, escravidão. É a conseqüência inevitável de dizer que alguém tem direito a determinados bens produzidos por outros. Alguém tem que produzir esses bens. E se é um direito, o verdadeiro proprietário será destituído de seus bens à força para cumprir tal “direito” de outro. Em um mundo de escassez como o nosso, é impossível garantir bens a priori sem violar direitos de propriedade, ou seja, a liberdade.

Liberdade não é “poder escolher”. Você não pode escolher matar alguém. E isso não viola sua liberdade, simplesmente porque liberdade, em termos de poder escolher, é escolher dentro do conjunto de suas propriedades e a vida de outro ser humano não é uma propriedade sua, é dele. Você deixa de ser livre porque não pode chegar à IBM e exigir a presidência da empresa? Ou, porque não pode ficar deitado no sofá em casa e ganhar R$200.000? Isso não tem absolutamente nada a ver com liberdade, tem a ver com escassez, com poder. Em um mundo sem escassez alguma, seriamos onipotentes, poderíamos ter, fazer tudo, poderíamos ficar deitados no sofá recebendo muito mais que R$200.000, quantia que nem iria fazer efeito algum em nosso bem estar, afinal estaríamos no “nirvana”, totalmente felizes, teríamos tudo. Mas isso é fantasia igual ao coelhinho da páscoa e papai Noel. Chamar algo assim de filosofia ou justiça é uma piada de mau gosto. Falar em escolhas implica em escassez

No fim das contas, é a velha regrinha que todos já aprendemos: todos têm liberdade para agir, desde que não interfiram na liberdade alheia.


Série sobre Direitos: 
- Direitos Sociais: aqueles que você paga mas não leva
- "Saúde não é direito humano". E daí?
- Direitos Legítimos (1): introdução
- Direitos Legítimos (2): Garantias x Liberdades / Direitos Positivos x Negativos
- Direitos Legítimos (3): a natureza humana
- Direitos Legítimos (4): Direitos como liberdades
- Direitos Legítimos (5): Vida
- Direitos Legítimos (6): Propriedade
     - Leis antifumo - banindo a liberdade
- Direitos Legítimos (7): Liberdade
Fonte:
- ocapitalista.com
- Depósito de...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

É Tudo Ilegal! - John Stossel's Illegal Everything

Lá vem a nova edição do BBB, e com ela as reclamações de sempre sobre como o povo se aliena assistindo a esse programa. Então eu guardei alguns vídeos mais longos e vou postá-los um pouquinho antes de começar o programa. Agora você pode gastar 40 minuto vendo a atração global ou pode gastá-los assistindo a algo interessante.

Não vão poder dizer que é por falta de opção, pelo menos...


É uma ideia comum que leis proibindo coisas nos trarão segurança e bem-estar. É um reflexo muito comum, na verdade, identificarmos algo de que nós não gostamos e logo declararmos "deviam fazer uma lei proibindo isso!" para que as outras pessoas também não possam fazer, ou então achar que mais regras em relação às atividades comerciais e profissões facilitarão a vida de todos.

Será mesmo?

John Stossel nos mostra as consequências negativas e absurdos de toda essa cagação de regras:
(legendas em português disponíveis, basta clicar no botão de legendas e ativá-las)



Neste vídeo:
- Limitações a atividades comerciais: de barraquinhas de limonada a comércio de alimentos naturais, tudo deve ser controlado?
- Batalhas judiciais: realmente dá pra se defender de uma arbitrariedade estatal sem arruinar sua vida?
- Regulação sobre táxis: benefício para os pobres ou proteção para os grandes?
- Alimentação: nós podemos escolher o que comer ou outros devem escolher por nós?
- Drogas e prostituição: locais onde isso é permitido estão piores do que lugares onde é proibido?

domingo, 6 de janeiro de 2013

"Saúde não é direito humano". E daí?



Gerou certa polêmica o vídeo acima, em que uma garota libertária diz que "saúde não é um direito humano". Se você tem acompanhado este blog, já deve estar familiarizado com este raciocínio. No post Direitos Sociais: aqueles que você paga mas não leva eu já havia comentado que tais "direitos" são na verdade produtos e, como tais, têm uma série de complicações práticas para serem fornecidos do jeito que prometem na teoria. Vendo as reações ao vídeo, percebo que algo continua não estando claro pra muita gente e gostaria de esclarecer aqui:

Qual a consequência de saúde (ou educação, trabalho, lazer, etc...) não serem direitos de verdade?

No que depender dos debatedores dos comentários, a disputa é entre "gente que quer ver as pessoas morrerem na fila" versus "gente que quer salvar todas as pessoas". Não é isso.

O ponto aqui não é concluir que "por não ser direito, então a gente não vai se esforçar pras pessoas terem e fica por isso mesmo". O ponto é lembrar as pessoas que não basta escrever **DIREITOS HUMANOS UNIVERSAIS SAGRADOS** num papel e aí só "ser vigilante e atento e cobrar dos governos que cumpram sua obrigação".

Escrito assim pode parecer uma ideia óbvia, mas será que é mesmo? Quantas e quantas vezes você já não ouviu (ou mesmo falou...) o discurso de que "é papel do cidadão cobrar do estado e dos governantes que cumpram seu dever de fornecer educação, saúde, etc. a todos"? Como se a única coisa que nos separasse de uma vida digna fosse a ineficiência de governantes ou a nossa apatia política ou os empresários malvados ou as pessoas (sempre as outras...) egoístas?

O fato é que não existe por aí essa "dignidade da pessoa humana" já dada, bastando a cada um reinvindicar sua parcela pronta.

Tais direitos são só a manifestação da nossa vontade de que seria legal ajudarmos uns aos outros — uma vontade humana e, por isso, sujeita às nossas limitações; não um atestado que ganhamos e que cabe ao Estado fazer o universo cumprir.

O Estado não vai pegar a Declaração Universal dos Direitos Humanos nem a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, por mais que tenham nomes bonitos, e esfregar na cara do universo até ele dizer "vocês têm razão, providenciarei agora mesmo que caia do céu todo o necessário para que os seres humanos desfrutem da dignidade da pessoa humana que eles têm".

Não é nem mesmo o Estado quem vai fornecer tais itens: são, apenas, outras pessoas. A tal "saúde para todos" não está pronta e guardadinha em algum lugar só esperando ser chamada de direito pra ser buscada pelo Estado e distribuída entre nós. Ela é um produto da ação de outras pessoas.

E o esforço humano é limitado.

Os médicos, responsáveis por fornecer o tal direito universal à saúde, não vão trabalhar obstinadamente até terem fornecido saúde a todos só porque políticos nos dizem que saúde é um direito humano universal. E os médicos não vão fazer isso pelo mesmo motivo que você não faria: porque são todos uns egoístas mesquinhos e individualistas? Não. Simplesmente porque eles, assim como nós, têm necessidades. Eles precisam comer também e evidentemente não podem produzir comida ao mesmo tempo em que curam pessoas — daí a troca, facilitada pelo dinheiro, que permite às pessoas trocarem um serviço (saúde) por outros (alimentação, educação, saúde...).

Quando médicos a serviço do estado fornecendo saúde "gratuita" recebem seus salários, esse dinheiro não caiu do céu: ele é simplesmente parte da riqueza produzida por outras pessoas. Não há mágica.

Então, agora que você talvez já esteja com os dois pés no chão, ciente de quão sozinhos nós estamos e de quão insignificantes nossas reivindicações são para todo o resto além de nós mesmos, então você até pode continuar falando em "direito humano universal à saúde".

Mas sabendo que todos os bens e serviços que prometermos como direitos terão que ser produzidos por outras pessoas pra serem dados, quão sentido faz continuar tratando a saúde como um direito exigível e garantido ilimitadamente?

Como o esforço humano, limitado, poderia cumprir promessas de direitos ilimitados?
Não pode.

"Saúde não ser um direito" não impede de forma alguma que busquemos cada vez mais ajudar o próximo: é só um lembrete de que o caminho para ajudar os outros passa por trabalhar em vez de fazer cobranças ao governo. Ele não pode nos fornecer nada além do que nós mesmos podemos.
“É incrível como algumas pessoas acham que nós não podemos pagar médicos, hospitais e medicamentos, mas pensam que nós podemos pagar por médicos, hospitais, medicamentos e toda a burocracia governamental para administrar isso.”
- Thomas Sowell

Leitura recomendada: O paciente de R$ 800 mil
A matéria fala sobre pessoas que conseguem fazer valer seu "direito" à saúde previsto na Constituição — e como é impossível atender a todos se fizerem o mesmo, o que nos demonstra com dados e fatos que não faz o menor sentido continuar chamando esse tipo de coisa de "direito".

sábado, 5 de janeiro de 2013

7 mitos da privatização

1. Privatizar é entregar o patrimônio público
Quem é contra as privatizações costuma acusar seus opositores de "lacaios do capital", "entreguistas", "corsários do patrimônio público". Privatizar, na verdade, não significa entregar as riquezas, mas permitir que os empreendedores possam explorá-las e produzir mais dividendos ao país. A Vale, por exempo, paga hoje 20 vezes mais impostos do que quando era estatal. É muito mais dinheiro para hospitais e escolas. A empresa também paga mais aos seus acionistas e colaboradores, o que significa mais dinheiro circulando no país.

2. Quem defende a privatização acredita na boa vontade dos empresários
Nada mais errado. Ser a favor da privatização e do capitalismo não significa considerar industriais, banqueiros e comerciantes pessoas bondosas. Significa, isso sim, acreditar que a concorrência entre empresários em busca de lucro é o melhor incentivo à inovação e ao barateamento dos produtos: não precisamos depender da boa vontade de uma fábrica de celulares para criar aparelhos mais leves e com mais acessórios para melhorar o mundo, ela faz isso pra vender mais.

(você pode ver mais sobre isso no vídeo desse post)

3. As estatais ajudam os pobres
Quando uma empresa particular quebra, quem paga a dívida são os proprietários e acionistas. No entanto, se uma estatal é mal administrada e dá prejuízo, a conta precisa ser paga pelo governo, ou seja, pelos impostos dos cidadãos. O Brasil padeceu desse problema nos anos 80, com divertas estatais gerando enormes rombos que tiveram que ser sustentados por nossos impostos. Para sanar as dívidas dos bancos estatais, por exemplo, imprimia-se mais dinheiro, o que gerava inflação — o pior castigo que pode ser aplicado aos mais pobres.

4. Setores estratégicos devem ser controlados pelo governo
Típica da ditadura militar, essa falácia já foi desmentida diversas vezes. Na questão dos minérios, dos fertilizantes, dos aeroportos e da Embraer, provou-se que a iniciativa privada é muito mais eficiente para prover serviços — e que não há risco algum ao interesse nacional. O melhor raciocínio é o inverso: é muito perigoso deixar setores estratégicos a cargo da vagarosa burocracia do governo. Não existe, por exemplo, setor mais essencial à vida que a alimentação, justamente uma área de comércio quase toda privada. O sucesso da produção de alimentos a baixo custo é tão grande que desencadeou outro problema: a obesidade até mesmo entre os pobres.

5. A privatização provoca demissões e salários menores
Em um primeiro momento, pode haver demissões. Estatais costumam ter muito mais funcionários do que o necessário, o que geralmente acarreta prejuízo a ser pago pelos cidadãos. Por isso, é comum haver algumas demissões quando a empresa é vendida. No entanto, como a produção e a eficiência aumentam muito nas empresas em busca do lucro, o número de empregos se multiplica depois. A Embraer, por exemplo, dobrou o quadro de pessoal pouco tempo após ser privatizada. Além disso, o salário médio também aumenta, a fim de segurar e estimular os funcionários mais produtivos.

6. Empresários só pensam em lucro no curto prazo
Resiste, no Brasil, a crença de que os empresários são gananciosos que só se focam no curto prazo, enquanto os políticos vão proteger os interesses nacionais no longo prazo. A verdade é o contrário disso. Os empresários, justamente por causa do foco no lucro, precisam pensar no longo prazo, pois o fluxo de caixa maior ao longo do tempo significa um valor presente maior para seu ativo. Por outro lado, os políticos precisam pensar nas próximas eleições, pois mesmo um ótimo político precisa ser reeleito se quiser continuar no cargo. Isso acaba produzindo uma visão totalmente míope e voltada apenas para o período de alguns meses.

7. Nossas estatais foram vendidas a "preço de banana"
Esse é um dos mitos mais difundidos, que não resiste a uma análise mais isenta dos números. Mesmo que as estatais fossem "entregues" ao setor privado, o país ganharia com o fim dos prejuízos sustentados pelos contribuintes, com os maiores impostos arrecadados, com os empregos gerados e com os novos investimentos. Mas não foi o caso. As privatizações permitiram ao estado arrecadar mais de 70 bilhões de dólares e trasnferir quase 20 bilhões em dívidas. Os preços, definidos em leilões com a presença de empresas estrangeiras, apresentaram ágio em relação ao valor inicialmente estabelecido (ou seja, as empresas pagaram mais caro do que o preço mínimo exigido). O que não é justo é comparar o valor da venda de uma estatal com seu novo valor enquanto empresa privada, pois o valor costuma subir justamente pela mudança na gestão.

Extraído da orelha de capa do livro "Privatize Já", do Rodrigo Constantino